segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Análise dos Robocops (1987 e 2014)

Análise dos Robocop - Racionalização do indivíduo pelos mecanismos de poder.


Bem, eu estou aqui como novo 'colunista' (lê-se ironicamente uma pessoa muito ocupada) da Taberna. E para quem não me conhece vai ficar sem me conhecer. Não vejo muito motivo pra ficar me apresentando já que você não vai me ver pessoalmente e eu nunca vou querer isso. Então se quiser me chamar do que der na telha me chame - e não, isso não é nenhuma cutucada aos outros colaboradores que se apresentaram, não tenho esse tipo de intimidade pra ficar soltando veneno a meu bel-prazer (chame somente de forma diferente de pensar, algo que é bem difícil de se ver na internet).

Agora que fomos pobremente apresentados, vamos ao filme de fato. Como já devem ter percebido, os dois filmes vão ser mencionados na análise mas o foco mesmo é na adaptação do Padilinha tão querido nos nossos corações desde o lançamento do primeiro trailer. Então se gostou desta ideia de um olhar mais profundo sobre o filme do Padilha e ficou querendo mais, recomendo o vídeo-ensaio do Bruno Rachacuca sobre o primeiro Robocop (se já viu ambos os filmes claro, porque senão vai ser somente uma chuva de spoilers). E sim isso serve para mim também.

E agora para concluir essa introdução, se você não está familiarizado com esse formato de texto, que fique claro que isso não é uma crítica como você já deve ter visto em vários outros sites e inclusive neste, ou seja, não se tem uma 'opinação' quanto a qualidade do filme com o intuito de orientar o leitor. Em vez disso eu estou aqui para desconstruir o filme e assim criar uma nova interpretação partindo dessa desconstrução NUSSS Q BABAKA!! q texto chato, ah cansei vou ver Big bang Theory. Esse cara num tá com nada. (Bem, se você é um desses sinta-se livre para fechar essa aba. Não vai fazer falta alguma). Pra evitar a fadiga, eu resolvi separar esse texto em quatro partes: Sinopse e Interpretação, Comparação Original x Refilmagem, Direção do Padilha e Conclusão. Então simbora.

Sinopse e Interpretação

Tendo como cenário uma Detroit futurista, vemos Alex Murphy indo de policial 'sonho-americano' para Robocop da pesada quando uma tentativa de interceptar um traficante de armas dá errado e Alex Murphy quando menos esperava explode com uma arma plantada em seu carro levando a sua provável morte que seria bem melhor que o futuro que Hollywood guardava para ele (sua vadia sem coração). Enquanto uma multinacional de próteses e importados (?) para 'alavancar as vendas de seus drones nos Estates' procura por um corpo humano pra contrabandear sua tecnologia do Sete-pele. Junte 1 + 1 e você não tem 2, mas sim Robocop - O trouxa que não sabia quando não meter o seu nariz no trabalho dos outros e acabou empacotado(mais pra incinerado) e acabou virando material pra plágio do Frankenstein pela Omnicorp(ou só policial do futuro, se desejar a versão sessão da tarde). Tendo finalmente Murphy recebido seu castigo divino, é hora de arrancar o coração desse homem de lata e dá um reboque nesse chassi. Indo da China para EUA, minutos antes do  lançamento do seu produto dá tela azul na OS do Robocop ao carregar as atualizações do Windows, e a staff da Microsoft Omnicorp se vê sem nenhuma opção a não ser eliminar qualquer traço de humanidade ainda restante no indigente. Calma, deixa eu respirar um pouco...

Enfim, como os executivos da Omnicorp pensavam: Tudo acaba bem quando termina bem (o cara que pensou isso com certeza não sabia o que era pleonasmo). Entretanto, foi exatamente o que não aconteceu daí pra frente,pois por mais mecanizado que o Alex tenha se tornado,ainda não foi cortado de sua família. Quando o Robocop vê a Clara e a gema tentando trazer a superfície o Murphy de antes, não demora muito pra que ele se toque de quem deveria estar no comando. E é aí que a merda começa a feder, porque a Lei do Murphy tá em voga e o artigo primeiro é: tudo que tiver que dar errado vai dar errado ninguém nunca sai impune depois que entrou na minha lista. Como eu falei antes eles só pensaram que tudo ia dar certo (só), e eles acabam dando cabo do Alex, botando ele pra mimi (soninho bão SQN) até que o Dr. Denett daí pra frente resolve tudo na gritaria (not in a good way though). Já no desfecho, vemos algumas cenas de ação até que o Vilão do Mal é empacotado para sempre. E finalmente podemos dizer 'Tudo acaba bem quando termina bem'. O Alex Murphy deixou o neon e o esmalte preto para abraçar Jesus e largar essa viadagem de 'Robocop tático'(mais aspas, por favor). Enfim, eu sei que foi meio corrido essa sinopse, mas só resumi tudo isso em dois parágrafos para não correr o risco de me estender demais. Partindo para análise agora.

Antes de começar minha interpretação, é necessário que eu lhes explique uma certa regra que eu acabei de cagar porque é minha análise, minha hahaha! que é a regra do corte. O nome esse eu posso dizer que é de autoria minha, mas a técnica você deve ter visto algum crítico de cinema ou algo do tipo usar para definir se um filme tem algo a mais além do que se comprometeu a ser. Essa regra consiste simplesmente em uma coisa: Ao ver um filme de ação, analise o filme tirando todas as cenas de ação e veja se ainda se sustenta o suficiente para atrair a atenção de seu espectador, mesma coisa com terror, romance entre outros. Não é uma regra genial, mas permite você avaliar a carga cultural que um filme 'de massa' carrega independente de sua qualidade.


Aplicando essa regra em Robocop, fica claro para nós que o Padilha (diretor de Tropa de Elite 1 e 2, lembrem-se bem disso) queria abrir debates filosóficas sobre até que ponto podemos nos definir humanos (vale ressaltar que é diferente da questão homem-máquina do antigo) e várias outras, e também levantar questões em voga nos dias atuais como a questão dos drones, assim como seu predecessor. Então sim, Robocop vai além daquele filme domingo de tarde que você vai assistir com sua família.



Automatização da Violência

A cena de introdução do filme é com certeza a crítica mais explícita do filme, é só ver: Samuel L. Jackson (não tão Samuel L. Jackson) sendo uma óbvia alusão ao Bill O'Reilly    que é tipo um Datena dos EUA; o programa satirizando o O'Reilly Factor (Novak Element). O início da cena mostrando o teatro sensacionalista que aquilo é, e a ironia máxima com a frase “Pela primeira vez na vida deles, eles podem observar suas crianças crescerem em um ambiente de paz e segurança” e a morte de uma criança por portar uma faca ( e você achando que robocop gay era aquele do trailer). Tudo isso para mostrar como que esse processo de automatização do exército (como se vê em uma fazenda) é um passo em direção ao fascismo. Fascismo esse, que é representado novamente pelo tira do barulho em altas confusões:

Na morte indireta de um traficante após uma invasão a um laboratório
No 'exame de admissão' dele


Obviamente, contrastando com o modus operandi do Alex, onde ainda se permitia uma abordagem mais humana do cumprimento do seu trabalho.




Outro aspecto abordado na obra, é a tentativa de reprodução da consciência pela máquina (Buguei mano - calma fique comigo por mais um instante, você não pode se perder, VOCÊ NÃO PODE SE PERDEEER!). Vamos por partes, primeiro a cena em que o cara de violão que acabou de ganhar uma prótese tenta tocar uma (foi mais forte do que eu). Como o sistema da prótese precisa de estabilidade para poder servir como membro, suas emoções não devem interferir em seu pensamento, ou seja, a máquina no intuito de nos representar requer de nós um preço que não temos como desembolsar: nossas emoções. Esse conflito é inserido da mesma forma na jornada de Alex em se tornar dono de sua própria identidade.

Vemos essa jornada iniciar dentro da mente do próprio Alex enquanto ele é trazido ao mundo como Robocop. Como se ele estivesse passando pelos 5 estágios do luto:

Negação - o próprio sonho em que ele é acordado, que é fácil de reconhecer como um já que Frank Sinatra canta com dois microfones (isso é muito errado cara);



Raiva - com o surto do Alex ao acordar, ele de alguma forma tenta fugir dessa realidade, mas acaba indo direto a um arrozal em meio a China. E mais uma crítica do Padilinha, agora sobre a terceirização explorativa em países de mão-de-obra barata;


Barganha - Essa parte é a mais dolorosa do filme, quando vemos ele sendo despido ao que sobrou de humano nele. A barganha nessa cena poderia se resumir na linha "Se eu estou no controle, então quero que me mate", onde vendo que não tem mais como voltar atrás ao menos tenta ir pra frente como o macho que um dia já foi. E é aí que você aprende a valorizar aquelas manhãs tão tortuosas em que um certo alguém acorda antes da gente (pras mulheres que estão lendo, por favor não tentem entender);

Depressão - Visto que ele realmente não tinha opção, a única saída mesmo era aceitar, Alex Murphy chegou ao seu ponto, dando finalmente espaço para o... ROBOCOP;

Só que não tão Robocop assim

E por último Aceitação - Essa não precisa muita explicação (até porque eu sinto daqui vocês virando os olhos a cada palavra. Ah, aproveita e fecha essa outra janela aí, safado), um "Tá na hora de meter bala no coco desses vacilão" resolve.

Agora que finalmente conseguiram conceber o produto perfeito. A máquina derrotou Alex Murphy. Até o momento de confronto com os fantasmas de seu passado (uuh! que medinho - disse a Omnicorp). E a partir daí a situação se inverte. Essa situação no filme é retratada (acreditem ou não) surpreendentemente pelas cenas de ação. O Padilha conseguiu criar uma estética única nas cenas de ação para cada fase da jornada de Alex/Robocop.

Relacionando as cenas de ação entre si e com o desenrolar da trama do protagonista no filme, é possível traçar um perfil psicológico do Alex que não sobra muita coisa a dizer pro Padilinha a não ser: VÁ   TOMAR   NO   CU! Como assim cara... como? meus parabéns, não importa o que os outros digam sobre o trabalho que fez, saiba que você conseguiu.

Então vamos lá né, fazer a análise. Começando pela cena inicial (espero que não tenha problema em começar pelo começo), onde o Murphy narra a negociação com o Antoin... ton... Clarence v2014. Essa sequência é claramente inspirada na ação de Tropa de Elite. Os movimentos são todos claros, tudo é palpável ao seus olhos sem a pirotecnia (favor, não confundir com pirucóptero) muito menos a trilha sonora das cenas seguintes. É aí que ainda temos um certo aproximamento permitindo que nos identifiquemos com o personagem, pois o mesmo ainda é humano.

De agora em diante, todas as cenas vão caminhando para esse visual mais Transformers, homem de ferro e cia. A próxima sequência onde o Robocop extermina o esquadrão de drones para assim chegar ao seu país, seria um intermediário, pois ainda vemos ele esboçar alguma emoção humana e é também onde o tiroteio é algo suave de se ver. Você pega carona com a cena e aprecia a viagem, a edição não é frenética e o barulho da pipoqueira não excede o da música. 

A seguir, temos a cena já comentada antes sobre o cara da granada, onde se mostra a indiferença do monstro VEM, MONSTRO! que Alex se tornou. E em seguida (e em contradição) a em que o Robocop (rumo ao Alex) dá cabo Clarence v2014 e sua corja de assassinos frios e calculistas - que por sinal é bem um deles que faz a cagada de entregar o paradeiro dele. E agora, antes de começar, eu gostaria de pedir um minuto de silêncio para todas as crianças japonesas com epilepsia mortas depois de assistirem essa cena. Cara, deixando de lado a piada, esse tiroteio fez o Michael Bay ter um orgasmo de tanto efeito e cortes-relâmpago usados nessa cena. A opulência e agressividade refletem certamente a ira do Alex que voltou da tumba para escorraçar a bandidagem de vez. E para o bem de todos os presentes, resolvi não colocar foto.

E agora para finalizar com o homem de lata (figurada e literalmente), temos a sequência mais importante. Onde o homem põe fim a opressão não só das máquinas como também do estruturas de poder que nos automatizam uaaaau! finalmente saporra tá acabando. Eu arrisco dizer que o filme todo se resumiria a duas imagens e também esse texto longo da moléstia
- ué não ia assistir Big Bang, quê que tu tá fazendo aqui perdido.
Ah-ham, continuando... ah, sim as imagens me dê ibagens e que elas falem por si mesmas: 
A disputa homem x máquina, premissa fundamental do filme, chega ao seu desfecho.
Alex com sua mão humana amputa seu braço protético, evidenciando
a recuperação do controle de sua identidade.

Com o controle sobre o que sobrou do seu corpo, ele pode finalmente dar a
solução que desejar para os seus problemas.

E então chegamos ao fim da parte 1, para você que ficou surpreso eu nunca falei que eu juntar tudo num post só. Visto que acabei me alongando mais do que eu previa, achei a melhor solução compilar os outros três tópicos em uma segunda parte, já que não exigem que eu me estenda explicando cada coisa minunciosamente. Agradeço a todos que leram e acharam útil e agradável, e também pros que não gostaram por diversos outros motivos e que se deram o trabalho de me xingar e trollar por ser muito ignorante To you, I say: STOP WHINING! Sintam-se a vontade para correções, indagações, informações a acrescentar e sugestões. Porque é para isso que foi feito a seção de comentários e não pra xingar, caralho! Inté.

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